Uma vitrola antiga toca a fúnebre canção...
Nesta embaçada tarde de inverno.
A música toma todo o espaço...
Acompanho-a vagando naquele vazio,
Junto a ela minha alma fria.
Vejo as notas na escuridão...
Apagadas de sentimentos.
Um dó embebido em sangue.
O ré em busca de um caixão,
Para escondendo-se do sol que amarga,
Seu mórbido coração.
Agora o mi... vive em mim,
Sepultado em solidão.
Longe das alegrias que dá vida a carne...
Das malditas fantasias que dilaceram o corpo,
Como uma leprosa maldição.
Rendo-me ao meu lado obscuro,
Afogada ao meu inferno interior.
Irei embora p'ra sempre e nunca mais retornarei,
Junto a tarde que termina submersa em lamúrias,
Ainda escutando a nota lá...o seu ultimo suspiro.
Finda então a música.
Aqui jaz... Eu e a canção...
Sepultadas em túmulo de lágrimas
Provocadas por uma ilusão.
Aqui jaz...
Maria de Fatima
(31/08/2013)

Xerosa!! Que fúnebre,mas com a beleza de quem sabe escrever um belo poema,parabéns minha miguxa.
ResponderExcluirbeijos