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sábado, 31 de agosto de 2013

FÚNEBRE CANÇÃO

Uma vitrola antiga toca a fúnebre canção...
Nesta embaçada tarde de inverno.

A música toma todo o espaço...
Acompanho-a vagando naquele vazio, 
Junto a ela minha alma fria.
Vejo as notas na escuridão...
Apagadas de sentimentos.
Um dó embebido em sangue.
O ré em busca de um caixão,
Para escondendo-se do sol que amarga, 
Seu mórbido coração.
Agora o mi... vive em mim,
Sepultado em solidão.
Longe das alegrias que dá vida a carne...
Das malditas fantasias que dilaceram o corpo,
Como uma leprosa maldição.
Rendo-me ao meu lado obscuro,
Afogada ao meu inferno interior.
Irei embora p'ra sempre e nunca mais retornarei,
Junto a tarde que termina submersa em lamúrias,
Ainda escutando a nota lá...o seu ultimo suspiro.
Finda então a música.

Aqui jaz... Eu e a canção...

Sepultadas em túmulo de lágrimas
Provocadas por uma ilusão.

Aqui jaz...

Maria de Fatima
(31/08/2013)

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

NOTURNO DESCANSO


Vagando entre corpos frios
Versos vagos...Desilusão...
Alma em agonia...Doce escuridão...
Piso folhas secas...Galhos feridos...
Cantando com o pássaro noturno.
Coberta por um pano negrume
Pingos de sangue embaça a íris
Encostada na beira do cais
Escrevo em gotas de fel
Letras vermelhas...Pena do réu.
Volto a minha catacumba
Para junto dos imortais.
Ao abrir aquele portal...Olho para trás...
A lua e eu ao léu... Noturno descanso,
Me despeço dos normais.


Maria de Fatima





quarta-feira, 7 de agosto de 2013

MORTALHA MOLHADA ( GÓTICO)



MORTALHA MOLHADA

Pensativa entre cadáveres agonizantes ...
Sem lápide...aqui jaz...um poema morto... 
Mortalha molhada por lágrimas delirantes, 
Dos semi-mortos vivendo a sombra do horror. 
O abutre sobrevoa o justo... 
Descarnando todo o corpo sem dó... 
Pescoço apertado... na garganta o nó... 
Impedindo vomitar o grande augusto.
 Em valas...becos...guetos... 
Pedaços humanos retalhados...aglomerados... 
Alimenta o pérfido...o carniceiro...
A escória que se camufla por detrás de risos pretos. 
Imóvel eu fico com minha boca fria 
Rezando um terço com mil ave Maria 
Com o peito sangrando até morrer 
Condenada esperando o dia escurecer. 
Pensativa entre cadáveres agonizantes 
Sem lápide...aqui jaz...um poema morto 

Maria de Fatima 
(25/07/2013

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

HORA CALADA (GÓTICO)


imagem do google

HORA CALADA


Era hora calada, o clarão da lua fazia-me companhia, enquanto rompia andando. 
Não sei quanto tempo segui, emudecida, por aquele áspero caminho. 
Ah!, tudo ao redor me parecia diferente. 
A forma das flores, o cheiro da terra e até 
a palpitação das estrelas... 
Tudo cheirava bolor de velhice e abandono. 
Que mudança se fizera em mim? 
Não sabia! 
Apenas estava ali. 
Eu e o silêncio entre aquelas árvores, 
apagada e muda, 
à sombra de dolente melancolia. 
Parei... Sonolenta, rememorando velhas lembranças, 
encolhida no meu ovo, hora calada. 
Hora em que os lobos vão beber nos lagos rastejantes...cerrei meus olhos; 
 As estrelas desmaiaram. 

Maria de Fatima