MORTALHA MOLHADA
Pensativa entre cadáveres agonizantes ...
Sem lápide...aqui jaz...um poema morto...
Mortalha molhada por lágrimas delirantes,
Dos semi-mortos vivendo a sombra do horror.
O abutre sobrevoa o justo...
Descarnando todo o corpo sem dó...
Pescoço apertado... na garganta o nó...
Impedindo vomitar o grande augusto.
Em valas...becos...guetos...
Pedaços humanos retalhados...aglomerados...
Alimenta o pérfido...o carniceiro...
A escória
que se camufla por detrás de risos pretos.
Imóvel eu fico com minha boca fria
Rezando um terço com mil ave Maria
Com o peito sangrando até morrer
Condenada esperando o dia escurecer.
Pensativa entre cadáveres agonizantes
Sem lápide...aqui jaz...um poema morto
Maria de Fatima
(25/07/2013
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